Ella passa na rua onde elle mora. Passa há anos, há meses, mas faz só alguns dias que descobriu que elle mora lá.
Ainda não tem certeza sobre qual casa é, se mora no fim ou no inicio da rua … mas sabe de um café que fica na mesma e pensa em convidá-lo … qualquer dia. Outras vezes pensa em passar por ali em horários diferentes para ver se o encontra e assim iniciam uma conversa.
Ella imagina mil coisas, pensa em sair apertando as campainhas e perguntar aos vizinhos sobre elle, mas nem sabe direito seu nome … sobrenome então? Como sair descrevendo um sorriso e um olhar para todos os moradores daquela rua?
Mal se lembra de sua voz, a ouviu tão raramente e tão rapidamente q não consegue se lembrar o tom, o jeito, o som … mas fantasia elle dizendo coisas que ella adoraria ouvir.
Então é sábado, e ella esta animada, anda pelo bairro, cantarola, balança as sacolinhas de compras e escuta seu mp3 bem alto. E de repente percebe que está na rua onde elle mora, sorri e balbucia ‘se esta rua, se esta rua fosse minha …‘ Olha pro céu, sorri sozinha e segue seu caminho … Mais 10 passos e passa em frente ao café … segue sorrindo.
Elle dobra a esquina, está ocupado falando ao celular, checa alguns papéis que estão em suas mãos, nem olha direito na hora de atravessar a rua. Agora estão na mesma calçada. Ella o vê primeiro, respira fundo, pára a música em seu mp3 e pensa em convidá-lo para tomar um café … que está ali a alguns passos dos dois … Elle está próximo della, mas ainda não a notou, continua falando em seu celular… olhando papéis … Deixa cair alguns no chão, rapidamente os recolhe. Guarda-os em seu bolso esquerdo da calça jeans, em seguida bate as mãos no bolso direito, encontra suas chaves.
Ella está parada, esperando que elle se aproxime, para convidá-lo … Elle passa por ella, a vê, olha profundamente em seus olhos enquanto fala ao celular … mas segue adiante, abre o portão … entra e fecha-o atrá de si, sem desligar o celular. A casa é uma das que ella tinha quase certeza, que elle morava, exatamente como pensou, a poucos passos do café, onde gostaria de tê-lo convidado para entrar e conversar.
Ella sabe a rua, sabe a casa, sabe em que horas do sábado elle estará lá … mas não quer ir e tocar a campainha. Não quer perguntar nada aos vizinhos e talvez nem queira mais passar por lá … Por que tudo que ella realmente quer, não era ser convidada a entrar em sua casa, mas sim em sua vida e em seu coração.
-Escrito em 01/03/2009 as 22h45-











Um Comentário
Quando caminhos se cruzam destinados a parar, as pessoas entram em nossa vida assim mesmo sem pedir, ou serem convidadas apenas se instalam primeiro em nossos olhos e depois no coração…
beijos