Ella o aguardava. Com a boca seca de ansiedade, tomava sua Coca-Cola gelada a cada minuto e ainda assim, sua boca continuava seca. Apertava as próprias mãos, respirava fundo, olhava na direção da porta … tinha receio que elle não viesse, seu coração estava ficando a cada hora menor, mais apertado dentro do peito.
Então elle entra, ella o vê e seu corpo estremece, seu coração dispara. Elle só passou, com seu sorriso lindo, olhar calmo e tímido, não a viu, havia muito barulho e muita gente. Ella aguardava o momento de se aproximar delle, num misto de ‘ansiedade e paciência’ que só ella sabe como é.
Elle a vê, está a alguns passos e a cumprimenta com um ‘oi’ (leve como elle) e depois vem e a abraça forte. Ella se derrete, nem consegue disfarçar a felicidade, mesmo séria … seu olhar a denuncia. Pensa em falar mil coisas a elle, ’será este o momento?’, ‘o que digo?’, ‘como faço?’.
Não há proximidade ou intimidade suficiente para tentar algo. E a única resposta que ecoa em sua mente é ‘Me beija, me beija, me beija’ … Ou o beijo? Agora? Ella não consegue agir ou ler seu olhar … é muito neutro … sua linguagem de corpo é possível ler alguma coisa (será?), mas nada de concreto. Talvez ella imagina, o que gostaria de ler.
E elle está ali na sua frente, conversa com algumas pessoas é doce, gentil, suave, de olhos tímidos e neutros, e tem o mais encantador sorriso … ella suspira. Pensa em se sentar ao lado delle, pensa em só dizer tchau, pensa, pensa, pensa e age totalmente diferente … dá um passo em direção a porta … mas percebe que elle também está saindo. O aguarda, caminham juntos até a saida, param na porta de frente pra rua. O pensamento della está mil, só há um desejo, ella nem consegue olhá-lo nos olhos … e na indecisão de como agir, toca o braço delle, se olham muito rapidamente e então beija sua face e diz ‘Tchau, boa noite!’.
Desce as escadas com suas sandálias cor de pele e seu vestido branco estampado de flores pink e vermelhas, que agita a saia com o vento e por causa dos passos rápidos.
Não! Ella não quer sair dali, ella não quer afastar-se do corpo delle, da sua doce energia que a faz sentir-se feliz sem explicação. Que a faz atravessar a cidade, noites acordada, portas e lugares escuros, com insuportável cheiro de fumaça de cigarros (é alérgica, mas nem sente mais …).
Antes de sair do alcance de seu olhar, ella pára ‘cinematograficamente em câmera lenta’ olha para trás. Surpreende-se em encontrar o olhar delle na mesma direção, então sai correndo e o beija!
Mas só em pensamento … pois o que ella realmente faz é voltar o olhar pra frente e seguir com passos apressados, coração em pedaços e arrependidíssima… de não tê-lo beijado… mais uma vez.
-Escrito em 15/01/09 as 0h20-

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